Uma organização certificada ISO 9001 ou mesmo ISO TS 16949 que possui um processo produtivo de galvanoplastia, ou mesmo de pintura. Com o passar do tempo, a direção da empresa decide desativar tais processos e passa a contratar fornecedores para executá-los – fornecedores que têm em seu expertise capacidade superior para conduzir plenamente estas atividades. O que deve ser alterado para a próxima auditoria de certificação ou mesmo auditoria de manutenção do sistema de qualidade?

A principal alteração é revisar o mapa de processos e colocar os processos que foram terceirizados como processos realizados externamente. Em muitos casos identificados como “processos terceirizados”. Assim, é evidenciado no sistema de qualidade que a empresa exerce o controle sobre as empresas terceiras – pois elas são parte de seus próprios processos. Em geral este controle vai do acompanhamento dos produtos na planta deste terceiro, realização de auditorias de processos e critério específico para a inspeção de recebimento das peças que retornam após a realização do serviço.

Muitas organizações não têm evidenciado tais atividades terceirizadas. Vez por outra porque os gestores do sistema da qualidade não têm consciência destas exigências do requisito 4.1 da ISO 9001. É importante observar quais processos terceirizados são parte do sistema de qualidade da organização. Avalie se esta situação existe na sua empresa.

Um requisito complexo de se atender na ISO TS 16949 é a inspeção de layout e ensaios funcionais – clausula 8.2.41. Trata-se da medição completa do produto e realização de ensaios tais como realizado por ocasião da aprovação do produto. Usualmente esta inspeção é realizada uma vez ao ano – mas, por requisitos de clientes podem ter sua freqüência alterada. Há casos de clientes que estabelecem dois anos na freqüência da realização. Dependendo do número de produtos existentes na organização esta tarefa torna-se complexa e demorada. Porém, a única alternativa é a utilização de um cronograma de trabalho que defina a quantidade de inspeções de layout a serem conduzidas ao longo das semanas do ano. Muitas organizações definem esta periodicidade por meio de seus planos de controle.

Mas qual é vantagem da organização ao conduzir a inspeção de layout e ensaios funcionais? Lembre-se que uma medição completa foi realizada na aprovação inicial do produto e, rotineiramente medições e inspeções são executadas conforme o plano de controle definido. Com isto, muitas partes são mensuradas inúmeras vezes ao longo do ano. Porém, algumas das características não indicadas no plano de controle não serão medidas / inspecionadas durante o ano. A idéia da inspeção de layout planejada é permitir que as medições não previstas no plano de controle possam ser realizadas, ao menos uma vez por ano. E com isto, temos a garantia de que todo o produto foi inspecionado no período. Caso haja divergências, um plano de ação deverá ser estabelecido.

Embora o manual do FMEA não seja claro é importante correlacionar os índices e símbolos para que reflitam o que realmente significam. É sabido que notas 9 ou 10 são representados por símbolos que indicam atendimento a legislação ou segurança do produto (muitas empresas usam D ou delta invertido). Para a nota 8, por exemplo, deve-se obter um símbolo que corresponda à perda de função primária que é o que representa – mas algumas equipes acabam por não adotar símbolos coerentes. Em outras situações indicam símbolos representativos para notas como 4, por exemplo.
Duas soluções são aplicáveis: a primeira é estabelecer e/ou adaptar a tabela de severidade de acordo com a realidade da organização e seus produtos. A outra solução é considerar requisitos específicos dos clientes, caso haja disposição sobre o assunto. É importante esta decisão porque a informação com o símbolo correspondente deverá ser adotado em toda a documentação pertinente além do próprio FMEA: instruções de trabalho, posto de trabalho, etiquetas, plano de inspeção, etc…

A cultura das organizações, suas práticas e metodologias que valorizam e acreditam, devem estar identificadas e descritas no manual da qualidade nos requisitos pertinentes. Assim, se a empresa tem predominância para um segmento ou determinados grupos de clientes, este reflexo deveria ser verificado na documentação bem como nas avaliações e orientações da análise crítica pela direção. Desta forma teremos um sistema da qualidade único, verdadeiro e efetivo.

A ISO TS 16949 é aplicável apenas às instalações onde são manufaturadas peças de produção automotivas e/ou a execução de peças de serviços (peças de reposição, por exemplo) e prestação de serviços (ex: tratamento térmico, galvanoplastia, pintura). O termo “automotivo” refere-se à produção de veículos de passageiros, comerciais leves, comerciais pesados, ônibus, motocicletas. O termo exclui veículos: industriais, agrícolas, fora de estrada (mineração, florestal, construção civil, etc.). Também está excluída as peças de pós-vendas (“aftermarket”).
É importante destacar que estas instalações onde são manufaturadas peças automotivas devem fornecer aos clientes signatários da ISO TS 16949. A certificação será realizada por planta da organização elegível à certificação.
As funções de suporte, ainda que localizadas na planta ou em localizações remotas à planta não são elegíveis a certificação de forma independente, mas devem ser incluídas no escopo da certificação da planta elegível.
Toda a manufatura no escopo da certificação deve atender a aplicabilidade da ISO TS 16949 em relação aos clientes signatários da norma. Assim, um processo ou produto, não poderá ser excluído se tiver relação com o fornecimento ao cliente.
O pedido de certificação, por solicitação da organização elegível, pode incluir manufatura que atenda aplicabilidade a ISO TS 16949, para produtos fornecidos a clientes não signatários da ISO TS 16949.

(Fonte: adaptado do Manual ISO TS 16949 – Esquema de Certificação 3ª edição)